segunda-feira, 22 de março de 2010

Ração Humana


A ração humana está sendo divulgada por muitos veículos de comunicação como uma fórmula milagrosa para a perda de peso, quase toda a semana me perguntam sobre a mesma, se realmente funciona, se engorda, se pode substituir uma refeição, entre outras dúvidas. Então decidi fazer esse post e esclarecer um pouco sobre "a tal".

A ração humana é um composto com diferentes tipos de ingredientes ricos em fibra (castanhas, aveia, linhaça, fibra de trigo, pó de guaraná, açúcar mascavo, entre outros). Ela auxilia no controle do colesterol e diabetes, melhora o transito intestinal e ajuda na desintoxicação do organismo.

Por ser um composto rico em fibras, pode  auxiliar na perda de peso por diminuir a absorção de gordura das refeições pelo organismo, sendo assim, para a perda de peso ser efetiva, a ração humana deverá fazer parte de uma alimentação balanceada, pois ela não contém o equilíbrio de nutrientes indicado para compor uma refeição saudável, portanto, não deve ser utilizada como substituta de refeições. A ração humana contém aproximadamente 400 kcal em 100g e se for consumida em grandes quantidades pode levar ao aumento de peso, além disso, ela oscila demais na sua composição e algumas fibras misturadas podem conter fatores anti-nutricionais responsáveis por inibir a absorção de micronutrientes importantes.

 É muito mais saudável, biodisponível para o organismo e indicado como parte de uma alimentação equilibrada consumir uma mistura dos grãos in natura com castanhas, linhaça, gergelim, soja, entre outros, e ingerir como lanche entre as refeições, pois assim você estará garantindo a ingestão de fibras e dos micronutrientes sem comprometer a sua absorção. 

Aproveito também para repetir que "a única coisa que não engorda" é a água. Por isso, pense bem antes de adotar uma dieta da moda, pois nem sempre você conseguirá adotar esse hábito por muito tempo e caso haja uma redução do peso, como desejado, ao retornar para o estilo de vida habitual, você com certeza irá recuperar o peso perdido.

Alimente-se bem, faça escolhas saudáveis, pratique atividade física.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

A cafeína presente no guaraná

A cafeína é considerada como a substância psicoativa mais consumida em todo o mundo, por pessoas de todas as idades, independentemente do sexo e da localização geográfica. Esse alcalóide está presente na natureza em mais de 63 espécies de plantas, entre elas, o guaranazeiro, que apresenta os maiores teores de cafeína, principalmente nas sementes.

Café, chá, produtos de chocolate e alguns refrigerantes são considerados mundialmente como as principais fontes de cafeína na dieta. Secundariamente, o mate, o guaraná e vários medicamentos, como emagrecedores, diuréticos, estimulantes e analgésicos, também contribuem para a sua ingestão. O guaraná pode apresentar um teor médio de cafeína até 4 vezes maior que o café.

A relação entre o consumo de cafeína e o possível desenvolvimento de algumas doenças tem despertado, há muito tempo, o interesse de pesquisadores. Embora muitas pesquisas tenham sido feitas, ainda não existem evidências de que quantidades moderadas de cafeína (aproximadamente 300 mg/dia) sejam prejudiciais à saúde de um indivíduo normal.

No entanto, um consumo superior a 400mg por dia pode levar ao chamado "cafeinismo", cujos sintomas mais comuns são ansiedade, inquietação, irritabilidade, tremores, perda de apetite, tensão muscular e palpitações no coração.



Fonte:
Tfouni SAV et al . Contribuição do guaraná em pó (Paullinia cupana) como fonte de cafeína na dieta. Rev. Nutr, 20(1):63-8 , 2007.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Aminoácidos de Cadeia Ramificada (BCAAs) e Exercícios

Há muito tempo, os aminoácidos de cadeia ramificada têm sido utilizados na nutrição clinica no tratamento de uma série de patologias. Hoje, muito se discute sobre os possíveis efeitos ergogênicos destes na atividade física, bem como seus diferentes mecanismos de ação fisiológica.
Os aminoácidos de cadeia ramificada, popularmente conhecidos como BCAAs, sigla derivada de sua designação em inglês Branched Chain Amino Acids, compreendem 3 aminoácidos essenciais: leucina, isoleucina e valina, encontrados, sobretudo em fontes protéicas de origem animal (HENDLER & RORVIK, 2001). Apesar destes aminoácidos não serem considerados a principal fonte de energia para o processo de contração muscular, sabe-se que estes atuam como importante fonte de energia muscular durante o estresse metabólico. Neste contexto, estudos têm mostrado que nestas situações a administração de BCAAs, particularmente a leucina, poderia estimular a síntese protéica e diminuir o catabolismo protéico muscular (BLOMSTRAND & SALTIN, 2001). Além dos possíveis efeitos ergogênicos no metabolismo protéico muscular, outros têm sido sugeridos: retardar a ocorrência de fadiga central (NEWSHOLME & BLOMSTRAND, 2006), aumentar o rendimento esportivo (MADSEN et al 1996), poupar os estoques de glicogênio muscular e aumentar os níveis plasmáticos de glutamina após o exercício intenso (BLOMSTRAND & SALTIN, 2001).

BCAA e síntese protéica muscular
Estudos com suplementação de aminoácidos de cadeia ramificada demonstram que essa estratégia nutricional pode ser efetiva na promoção do anabolismo protéico muscular e diminuição da lesão muscular pós-exercício. No processo de síntese protéica muscular, destaca-se, entre os aminoácidos de cadeia ramificada, a leucina, que induz a estimulação da fosforilação de proteínas envolvidas no processo de iniciação da tradução do RNA mensageiro, o que desse modo, contribui para a estimulação da síntese protéica (ROGERO & TIRAPEGUI, 2007).
Vale ressaltar que a administração oral de leucina produz um ligeiro e transitório aumento na concentração de insulina plasmática, fato este que também estimula a síntese protéica (ROGERO & TIRAPEGUI, 2007).

BCAA e fadiga central
A fadiga decorrente do exercício físico é um fenômeno complexo cujas causas parecem depender do tipo, intensidade e duração do exercício (FITTS, 1994). Para efeito de discussão, a fadiga pode ser definida como um conjunto de manifestações produzidas por trabalho ou exercício prolongado, que tem como conseqüência redução ou prejuízo na capacidade funcional de manter ou continuar o rendimento esperado (ROSSI & TIRAPEGUI, 2000). Na fadiga central, os mecanismos relacionados à ocorrência seriam a hipoglicemia e a alteração plasmática na concentração de aminoácidos de cadeia ramificada e triptofano (NEWSHOLME & BLOMSTRAND, 2006).

O triptofano é um aminoácido essencial, tanto para homens como animais. Entre suas diversas funções está a de precursor do neurotransmissor serotonina, o que influencia no sono, comportamento, fadiga, ingestão alimentar, entre outros. O triptofano pode ser encontrado na corrente sangüínea na forma livre (10%) ou ligado a proteínas transportadoras (90%). Em exercícios de longa duração, o organismo passa a utilizar os lipídeos como fonte de energia, fazendo assim com que o triptofano possa circular em grande quantidade na forma livre pela corrente sangüínea. Assim, quando a existe grande quantidade circulante deste aminoácido, possivelmente ocorre uma maior síntese do neurotransmissor serotonina, um dos grandes responsáveis pela ocorrência da fadiga central. A suplementação de BCAAs tem sido sugerida na hipótese de competir com o triptofano livre na corrente sangüínea, diminuindo assim a síntese de serotonina e consequentemente prevenindo a ocorrência de fadiga central (ROSSI & TIRAPEGUI, 2004).

Outras evidências
Não há evidencias de que a suplementação com BCAAs exerça efeito significativo sobre o rendimento físico e metabolismo de carboidratos, uma vez que os resultados dos estudos são conflitantes. Em contraste, foi verificado que a suplementação com BCAAs promove aumento significativo nos níveis plasmáticos de glutamina no período de recuperação (pós-exercício), uma vez que servem de substrato para a síntese deste aminoácido (BLOMSTRAND et al, 1995). Parece não haver necessidade para a ingestão de BCAAs, antes e durante o exercício, como estratégia para melhorar o desempenho esportivo. Contudo, a ingestão de aminoácidos, em particular de BCAAs, pode trazer benefícios de outra natureza, tais como a redução do catabolismo protéico durante o esforço e/ou durante a recuperação.

O uso de BCAAs é considerado ético. Os principais efeitos adversos relatados com o uso do suplemento, especificamente com altas doses, são: desconforto gastrintestinal, como diarréia, além de comprometer a absorção de outros aminoácidos (WILLIAMS, 1998).

Referências Bibliográficas
BLOMSTRAND, E. et al. Effect of branched-chain amino acid and carbohydrate supplementation on the exercise-induced change in plasma and muscle concentration of amino acids in human subjects. Acta Physiologica Scandinavica, v.153, p.87-96, 1995.

BLOMSTRAND, E.; SALTIN, B. BCAA intake affects protein metabolism in muscle after but not during exercise in humans. American Journal of Physiology – Endocrinology and Metabolism, v.281, n.2, p.E365-E374, 2001.

FITTS, R.H. . Physiological Reviews, v.74, n.1, p.49-94, 1994.

HENDLER, S.S.; RORVIK, D. PDR for nutritional supplements. Medical Economics, 2001.

MADSEN, K. et al. Effects of glucose, glucose plus branched-chain amino acids, or placebo on bike performance over 100 km. Journal of Applied Physiology, v.81, n.6, p.2644-2650, 1996.

NEWSHOLME, E.A.; BLOMSTRAND, E. Branched-chain amino acids and central fatigue. Journal of Nutrition, v.136, n.1, p.274S-6S, 2006.

ROGERO, M.M.; TIRAPEGUI, J.O. Aminoácidos de Cadeia Ramificada, Balanço Protéico Muscular e Exercício Físico. Nutrição em Pauta, v.83, p.28-34, 2007.

ROSSI, L.; TIRAPEGUI, J.O. Aminoácidos: bases atuais para sua suplementação na atividade física. Revista Brasileira de Ciências Farmacêuticas, v.36, n.1, p.37-51, 2000.

ROSSI, L.; TIRAPEGUI, J.O. Implicações do sistema serotoninérgico no exercício físico. Arquivos Brasileiros de Endocrinologia e Metabologia, v.48, n.2, p.227-233, 2004.

WILLIAMS, M.H. The ergogenic edge: pushing the limits of sports performance. Human Kinetics, 1998.














terça-feira, 17 de novembro de 2009

Alho e Doenças Cardiovasculares

As doenças cardiovasculares são responsáveis pela mortalidade prematura em adultos de todo o mundo e a alimentação é uma das maneiras de auxiliar na prevenção ou tratamento destas enfermidades.

O alho, além de alimento, é considerado um fitoterápico, segundo a resolução RDC nº48, de 16 de março de 2004, da ANVISA e seus efeitos biológicos estão relacionados à presença de compostos sulfurados voláteis (aliicia e tiossulfantes). A aliicina é a principal substância com efeitos farmacológicos, pois representa de 60 a 80% do total de compostos sulfonados.

Recomenda-se que o consumo do alho seja imediatamente após o esmagamento do seu bulbo e in natura, pois seus compostos orgânicos, quando submetidos ao aquecimento, são instáveis.

Os principais princípios ativos do alho promovem ação vasodilatadora e evitam a agregação plaquetária e lipoperoxidação de lipoproteínas, e por isso, podem contribuir na redução da hipertensão arterial sistêmica, inibição do LDL e formação de aterosclerose.

Fontes:
Azaria LH et al. Effect of allicin and its derivatives on vascular endothelial cell functions and glutathione level. Vasc. Pharmacol. 45(3):e75, 2006.

Cavagnaro PF et al. Effect of cooking on garlic (Allium sativum L.) antiplatelet activity and thiosulfinates content. J Agric Food Chem. 55(4):1280-88, 2007.



domingo, 15 de novembro de 2009

Dieta vegetariana: cuidados e benefícios

A dieta vegetariana é um regime alimentar na qual as pessoas que seguem excluem todos os tipos de carne, incluindo a de boi, peixe, frutos do mar, porco, frango e outras aves, bem como alimentos derivados. A dieta é baseada fundamentalmente no consumo de alimentos de origem vegetal, com ou sem o consumo de laticínios e/ou ovos.


Há principalmente quatro formas de dietas vegetarianas, classificadas de acordo com os tipos de alimentos que são consumidos: Ovolactovegetarianismo, onde há apenas a exclusão do consumo de carnes e seus derivados; Lactovegetarianismo: os que a seguem não consomem ovos nem qualquer tipo de carne; Ovovegetarianismo: onde há a exclusão dos produtos lácteos e seus derivados e de carne e o Vegetarianismo estrito que é uma dieta composta unicamente por alimentos de origem vegetal. Mas qual é o impacto dessas restrições alimentares no organismo?

Estudo recente revela que quando bem planejada e adequada nutricionalmente, a dieta vegetariana, inclusive a estrita, pode ser benéfica ao organismo, podendo contribuir para a prevenção e tratamento de algumas doenças.

Pesquisa recente avaliou a incidência de câncer entre pessoas que seguiam dieta vegetariana do tipo ovolactovegetarianismo e pessoas que consumiam peixe, sem outros tipos de carnes. Após mais de 12 anos de acompanhamento, os resultados da pesquisa indicaram que a incidencia de alguns tipos de câncer podem ser menor em pessoas que não consomem carnes.

Os dados dos estudos indicam os benefícios que podem ser obtidos pelo seguimento da dieta vegetariana. Porém, deve-se tomar muito cuidado quando se realiza essa opção, uma vez que a falta do consumo de carnes e seus derivados e no caso das estritas de demais fontes de proteína de origem animal, muitos nutrientes de extrema importância para o bom funcionamento do organismo deixam de ser ingeridos, o que pode causar graves deficiências nutricionais, causando prejuízos á saúde.

Sendo assim, quando se abre mão do consumo de algum grupo alimentar importante, deve-se fazer sua subsituição por algum que forneça os nutrientes necessários, deixando a alimentação completa e balanceada. No caso do vegetarianismo, para possuir as necessidades nutricionais supridas é necessário o acompanhamento de profissionais da área da saúde, assim como o nutricionista.

Fontes:
Key TJ; Appleby PN; Spencer EA; Travis RC; Allen NE; Thorogood M; Mann JI Cancer incidence in British vegetarians. Br J Cancer; 101(1): 192-7, 2009 Jul.
Craig WJ; Mangels AR+ American Dietetic Association. Position of the American Dietetic Association: vegetarian diets. J Am Diet Assoc; 109(7): 1266-82, 2009 Jul.



sábado, 14 de novembro de 2009

Os Segredos do Chocolate


O chocolate tem efeito atrativo devido aos ingredientes presentes em sua formulação e aos resultados que estes impõem ao produto final (gordura, açúcar, textura e aroma). Produzir chocolates requer um entendimento do consumidor, além disso, os tipos preferidos de chocolate variam em cada país. Basicamente, o chocolate é o produto obtido a partir da mistura de derivados de cacau (Theobroma cacao L.), massa (ou pasta ou liquor) de cacau, cacau em pó e ou manteiga de cacau, com outros ingredientes, contendo, no mínimo, 25 % (g/100 g) de sólidos totais de cacau.


Os diferentes sabores e usos para o chocolate refletem a história da indústria dos diferentes lugares. O sabor do chocolate é parcialmente determinado pela química do produto. O sabor depende da liberação dos compostos aromáticos, enquanto que a textura é uma função da maneira como o material se funde e quebra na boca. Muitos chocolates disponíveis no mercado são elaborados com ingredientes similares, porém apresentam diferentes sabores. Alguns produtores têm aromas específicos, sendo que existem trocas freqüentes nestes devido a variações no processo, acidez e temperatura, ocasionando variações de aroma e sabor no produto final.

O chocolate vem ganhando cada vez mais espaço na mídia, não só pelas suas apreciadas propriedades sensoriais, mas também pelos benefícios potenciais à saúde como foi visto em estudo realizado com voluntários que consumiram 40g de chocolate meio amargo por 14 dias. Os pesquisadores observaram que esse alimento foi capaz de modular a microbiota intestinal.

Fontes:
MARTIN, FJ et al. Metabolic Effects of Dark Chocolate Consumption on Energy, Gut Microbiota, and Stress-Related Metabolism in Free-Living Subjects. Journal of Proteome Research, 2009. http://pubs.acs.org/doi/pdfplus/10.1021/pr900607v

RICHTER, M; LANNES, SCS. Ingredientes usados na indústria de chocolates. Rev. Bras. Cienc. Farm., 43(3):357-69, 2007.



Efeito da desidratação na prática esportiva


A preocupação com a hidratação de esportistas e atletas deve ser frequente, porém atenção maior precisa ser dada quando a prática da atividade é realizada em ambientes de altas temperaturas.

A prática de exercício físico em ambientes quentes eleva a temperatura corporal a níveis perigosos. Com o aumento da taxa de suor, a desidratação provocada pelo exercício pode resultar no aumento da osmolaridade sanguínea, uma vez que o suor é hipotônico em relação ao sangue, além disso, há a diminuição do volume de ejeção ventricular pela redução do volume sanguíneo e aumento da frequência cardíaca. Sendo assim, é importante manter um balanço entre a perda e o consumo de líquidos. A hidratação é necessária porque a água é indispensável para múltiplas funções fisiológicas e o organismo perde mais rapidamente do que produz, principalmente no calor.

A recomendação para o consumo de água é de 250 a 500ml até duas horas antes do exercício. Já durante a prática esportiva, principalmente aquelas de longa duração e/ou em ambientes muito quentes, deve-se ingerir, preferencialmente, líquidos contendo carboidratos e eletrólitos, como sódio e potássio, na quantidade de 150 a 200ml a cada 15 a 20 minutos. A bebida a ser oferecida pós-exercício deve conter carboidrato para reposição do glicogênio muscular e não deve conter álcool e cafeína, pois são substâncias diuréticas que podem potencializar o processo de desidratação.

Fonte:
HERNADEZ, A.J.; NAHAS, R.M. Modificações dietéticas, reposição hídrica, suplementos alimentares e drogas: comprovação de ação ergogênica e potenciais riscos para a saúde. Rev. Bras. Med. Esporte. 15: 3-12, 2009.

Exercício físico e a restrição energética no tratamento da síndrome metabólica


A síndrome metabólica é um conjunto de disfunções relacionadas ao metabolismo, composta principalmente por cinco condições como a obesidade, a resistência à insulina, o diabetes mellitus tipo 2, a dislipidemia e a hipertensão. Recentes estudos, relativos aos efeitos do exercício físico e da restrição energética, têm relatado diversos benefícios sobre fatores metabólicos e de risco cardiovascular relacionados à síndrome metabólica.

Diversas estratégias têm sido criadas na tentativa de reverter este quadro desfavorável. Nesse sentido, estudos destacam os efeitos benéficos do exercício físico isolado ou associado com a restrição energética. Ainda que estudos randomizados e controlados que avaliaram a prevenção e o tratamento da SM sejam escassos, pesquisas controladas indicam fortes evidências de que mudanças no estilo de vida, incluindo a prática de exercício físico regular e restrição energética, sejam eficazes na prevenção e tratamento do diabetes mellitus tipo 2 em indivíduos com sobrepeso e com tolerância à glicose diminuída.

Com base nas atuais recomendações, preconiza-se o aumento do volume total de exercício físico com intensidade moderada, na busca da boa condição cardiorrespiratória e muscular e da diminuição da massa gorda, com consequente aumento da proteção contra fatores associados ao desenvolvimento da síndrome metabólica.

Fontes:
AMERICAN DIABETES ASSOCIATION. Diagnosis and classification of diabetes mellitus. Diabetes Care, v.31 Suppl 1, p.S55-60, 2008.


ACSM. American College of Sports Medicine Position Stand. The recommended quantity and quality of exercise for developing and maintaining cardiorespiratory and muscular fitness, and flexibility in healthy adults. Med. Sci. Sports Exerc., v.30, p.975-91, 1998.

domingo, 23 de agosto de 2009

Cerveja pode fortalecer ossos de mulheres, indica estudo...



Mulheres que bebem quantidades moderadas de cerveja podem fortalecer seus ossos, segundo um estudo de pesquisadores espanhóis. O estudo com cerca de 1.700 mulheres, publicado na última edição da revista científica Nutrition, verificou que a densidade dos ossos era melhor em mulheres que bebiam regularmente do que em mulheres que não bebiam.
Mas a equipe de pesquisadores adverte que o efeito pode ser mais ligado a hormônios de plantas presentes na cerveja do que ao álcool. Especialistas também sugeriram cautela em relação è descoberta. Eles advertem que o consumo diário de mais de duas unidades de álcool prejudica a saúde dos ossos.
A osteoporose, condição na qual a densidade dos ossos fica menor, deixando a pessoa mais suscetível a fraturas, é um problema comum em mulheres após a menopausa.
FORÇA DOS OSSOS - Os cientistas vêm pesquisando possíveis suplementos que possam ajudar as mulheres a manter a força de seus ossos após a meia idade.
Os autores do novo estudo, da Universidade de Extremadura, na Espanha, disseram não recomendar que as mulheres comecem a beber cerveja para fortalecer seus ossos, mas sugeriram que novos estudos sejam feitos com um ingrediente da cerveja chamado fitoestrogênio.
Para a pesquisa, eles recrutaram voluntárias com uma idade média de 48 anos e usaram ultrassom para medir a densidade dos ossos em seus dedos das mãos.
Os resultados foram comparados, levando-se em conta fatores como peso, idade e consumo de álcool. Mulheres definidas como consumidoras “leves” ou “moderadas” de cerveja – até 280 gramas de álcool por semana, ou o equivalente a até cinco unidades por dia – tinham uma densidade óssea maior na média do que as abstêmias.
O resultado da pesquisa está de acordo com outros estudos anteriores, incluindo um conduzido no Hospital St. Thomas, em Londres, que sugeriu que beber em média oito unidades de álcool por semana pode ser benéfico.
Porém especialistas advertem que é difícil estabelecer um limite certo entre uma dose “saudável” de álcool e uma prejudicial. O limite máximo estabelecido pelo estudo espanhol, de 35 unidades por semana, é o dobro do máximo recomendado para as mulheres.


Fonte: BBC Brasil

sábado, 15 de agosto de 2009

Termos Médicos x Definições Populares


Muitos termos relacionados ao peso e à saúde acabam assumindo “definições populares” e “definições médicas". Se não tomarmos cuidado, as diferenças de significados podem confundir.
As pessoas tendem a se referir a qualquer reação desagradável a um alimento como alergia: "Sou alérgico a carne vermelha, feijão verde e macarrão com queijo. Fico enjoado toda vez que como.” No entanto, a verdadeira alergia é rara, atingindo apenas 2% dos adultos.


Alergia Alimentar
A verdadeira alergia desencadeia uma reação do sistema imunológico que se manifesta não só no aparelho digestivo (náusea, diarreia e gases), mas na pele (erupções, coceira, inchaço na região dos olhos e boca) e no aparelho respiratório (coriza, coceira nos olhos e falta de ar).
Nos casos mais graves, a alergia a um alimento específico pode levar a uma rápida reação, resultando na contração das vias aéreas e possível morte – caso não seja tratada imediatamente.
As alergias mais comuns são a: peixes, mariscos, nozes ou ovos.
Intoxicações alimentares e a intolerância a lactose são muito mais comuns e frequentemente confundidas com alergias.


Compulsão Alimentar
A compulsão alimentar é um termo comum nas conversas informais: "Tive uma compulsão alimentar ontem à noite: tomei um sorvete gigante”, "Exagerei nos biscoitos e nas batatas fritas”.
Na verdade, a compulsão alimentar corresponde a um grupo muito específico de comportamentos que servem de diagnóstico para uma variedade de transtornos alimentares.
Uma compulsão alimentar acontece quando, num curto período de tempo (duas horas, por exemplo), consome-se uma quantidade de comida maior do que a que a maioria das pessoas comeria no mesmo período de tempo. Além disso, nesse momento, tem-se a sensação de falta de controle – você acha que não vai conseguir parar de comer nem controlar o que ou o quanto come.


Vício de comer
Muitas pessoas dizem que são viciadas em comida. Você já deve ter ouvido alguém dizer: "Sou viciada em açúcar" ou "Preciso comer a minha dose diária de chocolate!". Porém, a definição médica para vício envolve uma necessidade psicológica de uso de uma substância entorpecente (heroína, nicotina ou álcool, por exemplo). Esse vício é caracterizado pelo nível de tolerância e por sintomas psicológicos bem definidos na ausência da substância.
Com a exceção dos que contém quantidades significativas de cafeína, alimentos não causam dependência. Por isso, do ponto de vista médico, não é possível ser viciado em comida.
A dependência psicológica e os problemas para lidar com a comida de forma saudável acontecem, mas normalmente são erroneamente referidos como "vício de comer."

Na maioria dos casos, o uso de termos médicos em conversas informais é inofensivo. O problema está em diagnosticar a si mesmo ou a outras pessoas com base em “definições populares”. Os resultados não são nada bons. Muitas adolescentes são atormentados pela ideia de que têm bulimia porque comem demais ocasionalmente, outros sentem que suas vidas são governadas por um vício alimentar que eles não conseguem controlar.
Se você se preocupa com a saúde, é importante estar ciente de que os termos médicos acabam se infiltrando nas conversas informais – com as melhores intenções! Tenha isso em mente quando interpretar as informações sobre saúde publicadas em jornais, revistas e outras mídias que não sejam provenientes de instituições médicas.



FONTE:
US Department of Health and Human Services, National Institutes of Health, National Institute of Allergy and Infectious Diseases. Food Allergy, An Overview.

Wells LA, Sadowski CA. Bulimia: an update and treatment recommendations. Curr Opin Pediatr. 2001 Dec;13(6):591-7.

Medline Plus.